
Animais foram retirados de fazendas embargadas durante a terceira fase da Operação Carne Fria. (Foto: Fiscalização/Ibama)
Da Redação da Rede Hoje
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deflagrou a terceira fase da Operação Carne Fria, que resultou na apreensão de 7.061 cabeças de gado em áreas de desmatamento ilegal na Amazônia. O rebanho foi avaliado em cerca de R$ 30 milhões, e as multas aplicadas somaram R$ 49 milhões.
A ação ocorreu nos municípios de São Félix do Xingu, Pacajá e Rondon, no Pará, regiões que figuram entre as campeãs de supressão de floresta. No total, foram identificados 2,1 mil hectares desmatados ilegalmente, que deveriam estar em processo de recuperação.
Segundo o Ibama, a fiscalização constatou a prática conhecida como “lavagem de gado”, em que animais de fazendas embargadas são transferidos para propriedades regulares para emissão de novas Guias de Trânsito Animal (GTAs). O procedimento mascara a origem ilícita do rebanho antes da venda a frigoríficos.
Durante a operação, 16 frigoríficos foram inspecionados. Destes, seis receberam multas de R$ 4 milhões por adquirirem 8.172 animais diretamente de áreas interditadas. Outros 12 estabelecimentos foram notificados e permanecem sob investigação.
Os nomes das empresas autuadas não foram divulgados pelo órgão. Já os produtores rurais flagrados receberam R$ 22 milhões em multas e têm 30 dias para retirar o gado das áreas embargadas.
O Ibama destacou que produzir, comprar ou vender animais provenientes de fazendas ilegais configura crime ambiental, passível de punições administrativas e judiciais. Os casos foram encaminhados ao Ministério Público Federal (MPF) para análise de ações civis e criminais.
O superintendente do Ibama no Pará informou que a ação busca atingir toda a cadeia do desmatamento ilegal, desde a derrubada da floresta até a comercialização da carne. “É preciso interromper os mecanismos que permitem que produtos de origem ilícita cheguem ao mercado”, disse.Operação Carne Fria, que resultou na apreensão de 7.061 cabeças de gado em áreas de desmatamento ilegal na Amazônia
A Operação Carne Fria já teve duas fases anteriores, em 2017 e 2024. Juntas, as três etapas resultaram em mais de 170 autuações e R$ 640 milhões em multas aplicadas contra produtores e frigoríficos.
As investigações também apontam que parte da carne de origem irregular chega ao mercado de exportação, pressionando empresas do setor a reforçar mecanismos de rastreabilidade e monitoramento de fornecedores.
Para ambientalistas, o caso mostra que grande parte do desmatamento na Amazônia ocorre de forma ilegal, sem a devida autorização do Código Florestal, e está diretamente ligado à expansão da pecuária.
A “lavagem de gado” é considerada um dos principais gargalos no controle ambiental, já que a triangulação entre propriedades dificulta a identificação da origem dos animais.
O Ibama informou que seguirá com novas fases da operação e que pretende intensificar a fiscalização sobre frigoríficos que atuam no Pará e em outros estados da Amazônia Legal.
A expectativa é que, com a responsabilização de compradores e não apenas de produtores, o comércio de carne proveniente de áreas ilegais perca espaço no mercado.
O Ministério Público Federal, que acompanha os processos, poderá propor ações judiciais por crimes ambientais e danos coletivos, além de responsabilizar economicamente os envolvidos.
Com a continuidade da Carne Fria, o Ibama espera desestimular a prática da pecuária em áreas embargadas e reduzir a pressão sobre a floresta.
O órgão reforçou ainda os canais de denúncia para a população relatar práticas ilegais ligadas ao desmatamento e à pecuária em áreas protegidas.
Especialistas defendem que a integração entre fiscalização, rastreamento de cadeia produtiva e pressão de consumidores será fundamental para coibir a entrada de carne irregular no mercado.
Com o resultado da terceira fase da operação, o Ibama afirma que o impacto financeiro das autuações ultrapassa R$ 80 milhões, considerando o valor do rebanho apreendido e as multas aplicadas.
Com o Brasil de Fato