
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, detalhou as operações que mobilizaram diferentes órgãos federais e estaduais. Fotos: José Cruz/Agência Brasil
Da Redação da Rede Hoje
Brasília, 28 de agosto de 2025 – Uma série de operações coordenadas pela Polícia Federal, Ministério Público de São Paulo e Receita Federal atingiu nesta quinta-feira organizações criminosas que atuavam no setor de combustíveis, resultando em uma das maiores ações contra o crime organizado já registradas no país.
Mais de 400 mandados judiciais foram cumpridos em ao menos oito estados, incluindo 14 prisões, centenas de buscas e apreensões, e bloqueio de R$ 3,2 bilhões em bens e valores de suspeitos. O esquema criminoso movimentou aproximadamente R$ 140 bilhões, segundo autoridades federais.
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, classificou as operações como históricas e ressaltou a importância da integração entre órgãos federais e estaduais para atingir a complexa rede de fraudes.
Duas operações foram conduzidas pela Polícia Federal: Quasar e Tank. A terceira, Carbono Oculto, foi realizada pelo Ministério Público de São Paulo, com apoio da Receita Federal. A execução simultânea permitiu atingir alvos em diversos estados, minimizando riscos de fuga ou ocultação de patrimônio.
Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, explicou que as ações foram sincronizadas para garantir máxima eficiência. “O que houve foi a sincronização dessas ações. Há uma integração entre as três operações que poderiam muito bem acontecer em momentos diversos, mas seria com prejuízos. Trabalhamos em absoluta harmonia”, afirmou.A operação Carbono Oculto concentra-se na desarticulação de fraudes fiscais e sonegação
A operação Carbono Oculto concentra-se na desarticulação de fraudes fiscais e sonegação, com foco em postos de combustíveis e empresas que atuavam na distribuição e comercialização de combustível. Já Quasar e Tank investigam lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta de instituições financeiras.
No âmbito da Polícia Federal, foram apreendidos 141 veículos e sequestrados 1,5 mil, além de 192 imóveis e duas embarcações. Mais de R$ 300 mil em dinheiro foram apreendidos, e bloqueios atingiram R$ 1 bilhão. Foram sequestrados ainda 21 fundos de investimento, além de ações em 41 pessoas físicas e 255 pessoas jurídicas.
Dos 14 mandados de prisão, seis já haviam sido cumpridos até o início da tarde, incluindo líderes de organizações criminosas que atuavam em diversos estados.
As fraudes identificadas incluíam empresas de fachada, fracionamento de depósitos, adulteração de combustíveis e uso de contas-bolsão para ocultação de recursos. “O foco são as fraudes na cadeia de combustíveis. Encontramos fracionamento de depósito, empresas de fachada, intermediadora e operadoras financeiras, coleta de dinheiro, contas bolsões, adulteração e fraude na venda de combustíveis”, detalhou Rodrigues.
Segundo a subsecretária de fiscalização da Receita Federal, Andrea Chaves, a Carbono Oculto revelou a penetração do crime organizado na economia real e no mercado financeiro, afetando toda a cadeia de combustíveis.
“Na parte financeira, atuou na ocultação e blindagem de patrimônio, em um esquema semelhante ao uso de sócios em paraísos fiscais”, disse Chaves, destacando que cerca de mil postos de combustíveis em mais de 10 estados estavam envolvidos.
Os estados mais afetados incluem São Paulo, Bahia, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Maranhão, Piauí, Rio de Janeiro e Tocantins. Cada unidade da federação teve mandados de busca e apreensão cumpridos em cidades estratégicas. Em São Paulo, ações ocorreram em São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto, enquanto no Paraná o esquema surgiu a partir de uma investigação anterior ligada ao tráfico de drogas.
A Carbono Oculto realizou 12 mandados de busca e apreensão e teve sequestro integral de fundos de investimento, com bloqueio de até R$ 1,2 bilhão, valor correspondente a autuações fiscais já realizadas.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicou que as operações não surgiram por acaso
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicou que as operações não surgiram por acaso, mas a partir de uma equipe criada em 2023 para decifrar fraudes sofisticadas que utilizam métodos de grandes investidores para ocultar patrimônio.
Mais de mil servidores federais e estaduais participaram das ações, permitindo mapear o caminho do dinheiro e identificar os líderes das organizações criminosas. Haddad afirmou que as operações permitiram alcançar mais de mil postos de gasolina, quatro refinarias e mais de mil caminhões usados para transporte de combustível, muitas vezes adulterado.
“Estamos desmantelando a refinaria do crime. Conseguimos decifrar o caminho do dinheiro, que é muito sofisticado, com muitas camadas, envolvendo fundos fechados”, disse Haddad. A estratégia envolveu auditoria detalhada, bloqueio de ativos e rastreamento de fundos paralelos usados por criminosos.
A PF informou que Quasar e Tank desmantelaram operações financeiras ilegais que usavam fundos de investimento e fintechs para criar um “banco paralelo” do crime, dificultando a rastreabilidade e a identificação de sócios.
Além de fraudes fiscais, a operação revelou adulteração de combustíveis e comercialização de produtos abaixo do padrão legal, afetando consumidores e o mercado formal.
O ministro Lewandowski destacou que as ações reforçam a relevância da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, ainda em tramitação no Congresso Nacional, como ferramenta de apoio à integração entre órgãos e cooperação interestadual.
As operações demonstram o alcance e a sofisticação do crime organizado
As operações demonstram o alcance e a sofisticação do crime organizado, mostrando que ele atua não apenas em atividades ilícitas tradicionais, mas também infiltrado no mercado formal, manipulando empresas e recursos financeiros para lavagem de dinheiro.
A Receita Federal continuará monitorando os setores investigados, enquanto a Polícia Federal prepara novas ações para desarticular fraudes e coibir a atuação de organizações criminosas, garantindo que bens e valores bloqueados sejam revertidos para o Estado.
Autoridades afirmam que a continuidade da fiscalização e a integração entre órgãos são essenciais para reduzir o impacto do crime organizado, proteger a economia e evitar que o setor de combustíveis seja novamente utilizado como canal para lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.
O desdobramento das operações será acompanhado nos próximos dias, com expectativa de novas prisões e bloqueios, reforçando a importância da inteligência fiscal e da investigação criminal integrada.
Fonte: Agência Brasil