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Eustáquio Amaral
| Primeira Coluna 

Fantástica. É a história de Patrocínio. Isso para não dizer fascinante e sedutora. O Município foi criado em 1842, emancipado de Araxá. Todavia, cem anos antes, já existiam movimentações na região do Alto Paranaíba. Verdadeiras pérolas históricas. Uma delas é sobre um líder negro, escravo, que comandou grande Quilombo, formado pelo próprio quilombo (principal) e por outros quilombos dependentes. Esse quilombo maior localizava-se na região de Ibiá e Campos Altos e Sul de Minas, onde o Rei viveu quase toda a sua vida (em quilombos). No final, viveu por pouco tempo e foi morto, no quilombo da Pernaíba (região do Rio Dourados, hoje). O líder é Ambrósio, nascido na África. Por volta de 1725 foi arrematado pelos jesuítas, que sabiam de sua nobreza. E com a ajuda desses jesuítas, Rei Ambrósio fundou os quilombos em Cristais e Ibiá. E é lá que essa história começa.

REI AMBRÓSIO MORREU NA REGIÃO DE DOURADOS – O grande líder negro teria morrido mesmo na batalha do Quilombo da Pernaíba, em 1759. Nessa época, a região pertencia à Capitania de Goiás. A documentação sobre o fato é registrada pelo MG Quilombo, sustentada pelo arquivo Ultramar da Capitania do Rio de Janeiro.

COMO FOI A SUA MORTE – Nessa Batalha de Pernaíba (ou Parnaíba) aproximadamente 120 homens fortemente armados, sob o comando de Inácio Correa Pamplona, mataram 93% dos negros (e amigos brancos foragidos e índios) do Quilombo. Inclusive o Rei Ambrósio, a sua esposa Cândida, a sua corte e guardas, que residiam no quilombo, após saírem do Quilombo Campo Grande (Ibiá), tomado pelas forças da Coroa (Capitania). Em seguida, essas tropas atacaram o Quilombo Pernaíba, às margens da nascente do Rio Dourados.

O QUE ERA QUILOMBO? – Constituía-se de locais de refúgio de africanos escravizados e brancos descontentes com os impostos, autônomos, sob a liderança forte de um deles. Tais como Rei Ambrósio em Minas Gerais e Zumbi no Quilombo dos Palmares (Pernambuco). O quilombo era independente do Brasil Colônia. Agia como um país livre dentro do Brasil.

COMO SOBREVIVIAM OS QUILOMBOS? – O quilombo que ficava no território do (futuro) município de Patrocínio e os de Ibiá–Campos Altos dedicaram, principalmente, aos assaltos na emblemática Picada de Goiás (ligava Ouro Preto e São João Del Rei a Goiás, passando pelo Alto Paranaíba). Os quilombolas roubavam de tudo: boiadas, dinheiro, mercadorias e libertavam os escravos das tropas atacadas. Viviam disso e da agricultura na comunidade quilombola.

AMBRÓSIO ERA “REI– Segundo Célio Turino, o “Rei” Ambrósio era respeitado pelos moradores do quilombo (quilombolas, brancos ou índios). Nas Cartas Chilenas do inconfidente Tomás Gonzaga (isso mais tarde), “Rei” ou “Pai” Ambrósio era ameaça à autoridade da Coroa Portuguesa. E o Gonzaga o considerava ainda mais poderoso que o Zumbi dos Palmares.

AMBRÓSIO APARECEU ANTES DA FUNDAÇÃO DE PATROCÍNIO – A história conhecida de Patrocínio surgiu depois da morte do “Rei” Ambrósio (1759). Uma das razões do surgimento de Patrocínio tem tudo a ver com os quilombolas (gente dos quilombos). Para destruir os quilombos existentes na região, o governador da Capitania, Conde de Valadares, determinou ao capitão Inácio de Oliveira Campos a explorar os locais chamados de Bromado e Esmeril, à beira da estrada real Picada de Goiás. E essa estrada (de tropas) era frequentemente atacada pela gente dos quilombos. Isso em 1771. Por isso, surgiu a Fazenda Bromado dos Pavões. E mais, o capitão Inácio era casado com a lendária Joaquina de Pompéu, grande fazendeira na região de Pitangui. E que herdou ricas terras e muito gado no (futuro) município de Patrocínio.

ASSIM AMBRÓSIO É PARTE IMPORTANTE NA HISTÓRIA PATROCINENSE – Ou melhor, o “Rei” Ambrósio é o principal personagem na “pré-história patrocinense”. Verdadeiro rei negro. Talvez, mais líder do que o rei Zumbi.

GENTE DE PATROCÍNIO NA PESQUISA – O acadêmico Jorge Lasmar, falecido, da Academia Patrocinense de Letras, no final do século XX e começo do XXI, participou de trabalhos que elucidam a história dos quilombos. Jorge Lasmar, professor, também era membro e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (sede em BH). Ex-aluno do glorioso Ginásio Dom Lustosa, dos padres holandeses, anos 40.

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