Versões divergentes sobre morte de patrocinense causa polêmica, Rede Hoje esclarece

Baloes-dialogoDuas versões sobre o mesmo assunto geram polêmica em Patrocinio. Por isso, a Rede Hoje que é um veículo criado para propagar notícia, não "ser" notícia, vem a público esclarecer.

ESCLARECIMENTO DA REDE HOJE

Lamentamos que o portal da Rede Hoje tenha sido taxado de sensacionalista por uma leitora depois de reportagem baseada numa matéria reproduzida do G1, a respeito do falecimento da professora Mariana de Oliveira Fonseca Machado, ocorrido no interior de São Paulo.

Primeiro, porque nosso objetivo é pura e simplesmente informar, não buscamos outra coisa senão esse objetivo.

Segundo, o que a redação tinha disponível no momento era a matéria publicada pelo G1, que a grande maioria das pessoas considera um portal de informação sério, a Rede Hoje também, e as pessoas podem até divergir da linha editorial – dele como de qualquer outro – mas dificilmente podem taxar suas matérias de sensacionalistas. Por esse motivo, uma das nossas fontes de informação é o portal G1 – como de grande parte da imprensa brasileira.

Terceiro, a notícia do G1 foi reproduzida na Rede Hoje por volta de 12h00 da sexta-feira; o blog que deu a versão da Universidade de São Carlos – onde Mariana trabalhava -, às 20h09, portanto,  12 horas depois, e informando que “a Professora Doutora da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, morreu dez dias depois de… uma cesariana. Sim. O filho dela nasceu depois de uma cirurgia. Mas as manchetes afirmaram que ela morreu depois de 48 hs tentando ter um filho em casa. E embora haja poucas informações sobre a causa da morte de Mariana, a UFSCAR, Universidade Federal de São Carlos, manifestou-se sobre a morte da professora da instituição e esclareceu que Mariana chegou ao hospital para o parto em ‘perfeito estado de saúde’”.

Ou seja, blog diz que ela “morreu dez dias depois de uma cesariana. Sim(...) não existe ainda informações sobre a causa da morte de Mariana”. A informação que reproduzimos o que parece não proceder é que, como diz o blog, “as as manchetes afirmaram que ela morreu depois de 48 hs tentando ter um filho em casa”.

Se há uma coisa que a Rede Hoje não é, e nunca foi, é sensacionalista. Podemos ter errado - e erramos - no foco de alguma reportagem, mas nunca com este intuito. E mais, procuramos uma fonte de informação autônoma.

O primeiro ponto que exigimos dos redatores e colaboradores é que sejam éticos em qualquer notícia, não só de morte de alguém, como na notícia mais corriqueira ou no fato político. Procuramos sempre o equilíbrio ético e do bom senso.

Lamentamos profundamente a morte de Mariana e lamentamos mais ainda se nossa matéria serviu para aumentar o sofrimento da família. Se isso ocorreu, pedimos publicamente desculpas.

Mas não aceitamos a pecha de “sensacionalista” do portal da Rede Hoje, pois isso ela nunca foi, e quem acompanha a nossa história e a história deste veículo de comunicação, sabe o que estamos falando. E se não souber é só recorrer ao arquivo que verá.

LUIZ ANTÔNIO COSTA - EDITOR CHEFE

Abaixo, colocamos as duas versões da notícia divulgadas ontem:

VERSÃO DO G1 - Publicada pela Rede Hoje nesta Sexta, 24 Julho 2015, 12:02, à tarde

Sepultado corpo da patrocinense que tentou parto em casa no interior de SP

Mariana, no circulo, morreu depois dias depois de tentar realizar um parto humanizado

Foi sepultado nesta quinta-feira (23) em Patrocínio o corpo da professora universitária Mariana de Oliveira Fonseca Machado, de 39 anos. Ela morreu no interior de São Paulo ao tentar fazer um parto humanizado em casa.

Mariana era professora do curso de enfermagem da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e morreu na terça-feira (21), 11 dias após uma cesárea na Casa de Saúde da cidade. A patrocinense tentou um parto humanizado em casa por mais de 48 horas, mas teve complicações e foi levada para o hospital. O bebê sobreviveu e passa bem. Ela estava internada em São José do Rio Preto e o enterro aconteceu na tarde desta quinta-feira (23), em Patrocínio (MG).

Segundo a assessoria de imprensa da Casa de Saúde de São Carlos, Mariana havia contratado uma doula para ajudar no parto em casa, mas após dois dias o procedimento não foi bem sucedido. Com isso, no dia 11 de julho, ela foi levada para a Casa de Saúde, onde a cesárea foi necessária.

Mariana ficou internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas foi transferida para o Hospital Base de São José do Rio Preto (SP), no sábado (18), a pedido do marido, que trabalha como médico anestesista na unidade. Segundo o hospital, a professora sofreu uma parada cardiorrespiratória. O Instituto Médico Legal (IML) vai investigar as causas da morte e elaborar um laudo no prazo de até 60 dias.

Mariana de Oliveira Fonseca Machado era especialista em saúde da mulher e vice-coordenadora do curso de enfermagem da UFSCar. A universidade informou que não vai se pronunciar sobre a morte.

VERSÃO DO ESTADÃO. Publicada na coluna de Rita Likausas do Estadão, tendo como fonte a Follow Coordenadoria de Comunicação Social on Twitter Coordenadoria de Comunicação Social – Universidade Federal de São Carlos- Também na sexta, 24 julho 2015, 20:09, portanto à noite.

A enfermeira Mariana morreu depois de uma cesárea. Não depois de tentar um parto em casa, afirma Universidade

Rita Lisauskas

Cada vez que uma mulher morre depois de tentar um parto em casa, o status quo comemora. Mesmo que haja uma família sofrendo, uma criança órfã. Assim foi quando divulgado hoje que a enfermeira Mariana de Oliveira Fonseca Machado, 30, Professora Doutora da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, morreu dez dias depois de… uma cesariana. Sim. O filho dela nasceu depois de uma cirurgia. Mas as manchetes afirmaram que ela morreu depois de 48 hs tentando ter um filho em casa. E embora haja poucas informações sobre a causa da morte de Mariana, a UFSCAR, Universidade Federal de São Carlos, manifestou-se sobre a morte da professora da instituição e esclareceu que Mariana chegou ao hospital para o parto em “perfeito estado de saúde”. Destaco apenas uma frase do comunicado, antes de reproduzi-lo na íntegra. “Preconceitos em relação ao parto natural e a cultura de cesariana brasileira, associados à falta de responsabilidade no compartilhamento de informações nas redes sociais e na mídia, levaram a divulgações equivocadas sobre o caso.” Aqui está uma parte da história. E desde já, meus sentimentos à família de Mariana.

A Professora Doutora Mariana de Oliveira Fonseca-Machado, enfermeira obstetra, mestre e doutora pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto/USP, era docente e pesquisadora da área da Saúde da Mulher do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de São Carlos. Com base em seu conhecimento e acompanhamento médico durante o pré-natal, que evidenciou uma gestação sem intercorrências, aguardou a evolução para um parto natural. Assim, a Prof.a Mariana entrou em trabalho de parto no sábado, dia 11 de julho, estando acompanhada por profissional capacitado durante todo o processo. Para continuidade do trabalho de parto, encaminhou-se ao hospital no início da noite do mesmo dia, chegando ao local em perfeito estado de saúde. Algumas horas depois, Mariana foi submetida à cesariana, tendo a oportunidade de pegar sua filha no colo e amamentá-la. Posteriormente, foi encaminhada ao quarto junto com sua filha e, poucas horas depois, iniciou um quadro de complicações, que resultou no trágico desfecho. Infelizmente, preconceitos em relação ao parto natural e a “cultura de cesariana” brasileira, associados à falta de responsabilidade no compartilhamento de informações nas redes sociais e na mídia, levaram a divulgações equivocadas sobre o caso. Dados científicos indicam que a cesariana aumenta o risco de morte materna em 3-5 vezes, comparada ao parto normal. Dentre todas as causas de morte materna a hemorragia é a mais frequente delas. Em solidariedade à família da professora Mariana, o Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de São Carlos manifesta seu profundo repúdio às manifestações sensacionalistas veiculadas. Como instituição dedicada à promoção de conhecimento, convidamos toda a comunidade à reflexão e colaboração para que a verdade deste triste episódio seja esclarecida, contribuindo para a melhora do cuidado à saúde das grávidas do Brasil.

São Carlos, 24 de julho de 2015.

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