VAZOU. Jornalistas tomam conhecimento da prisão de Michel Temer antes dele

Ele foi informado, então, que havia um "boato na imprensa" de que um mandado de prisão contra ele havia sido expedido

Foto: Brasil 247

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 Momento da prisão acorrida nesta hoje, as 11 da manhã numa ru de São Paulo 


Do Brasil 247 


Minutos antes de ser preso, Michel Temer ligou para um assessor de sua confiança e perguntou se ele sabia o motivo de ter "tantos jornalistas na porta da minha casa". Ele foi informado, então, que havia um "boato na imprensa" de que um mandado de prisão contra ele havia sido expedido; ou seja, como de costume, a Lava Jato informou a imprensa antecipadamente sobre a operação.

O relato foi feito pela jornalista Daniela Lima, da coluna Painel, da Folha de S.Paulo. Segundo ela, Temer classificou o rumor como "uma brutalidade". Logo em seguida, a ligação foi interrompida e o ex-presidente não voltou mais ao telefone. O episódio mostra que, mais uma vez, a Lava Jato informou a imprensa antecipadamente sobre a operação.

O jornalista Kennedy Alencar também informou que Temer reagiu com a palavra "barbaridade" sobre a prisão, ao atender uma ligação dele. "'Barbaridade.' Assim reagiu o presidente Michel à prisão. Ele atendeu telefonema meu e confirmou que estava a caminho do Aeroporto de Guarulhos, acompanhado por policiais federais que cumpriam mandado de prisão preventiva expedido pelo juiz federal Marcelo Bretas, do Rio".

"Advogados de Temer dizem que ele tem endereço certo, não tentou fugir, não foi intimado e não obstruiu investigação. Consideram prisão preventiva abusiva e injustificada. Estão analisando recursos a instâncias superiores, inclusive STF", acrescentou Kennedy.

PRISÃO.  A Lava Jato no Rio prendeu Michel Temer (MDB) na manhã desta quinta-feira (21) em São Paulo; mandados foram expedidos pelo juiz Marcelo Bretas; em planilhas fornecidas pelos doleiros Vinícius Claret, o Juca Bala, e Claudio Barbosa, o Toni, aparecem transferências para Altair Alves Pinto, apontado como operador do ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ); segundo os doleiros, Altair era "o homem da mala" que repassava dinheiro para Cunha e para Temer; em delação, o empresário José Antunes Sobrinho, ligado à Engevix, também falou em acordo sobre "pagamentos indevidos que somam R$ 1,1 milhão, em 2014, solicitados por João Baptista Lima Filho e pelo ministro Moreira Franco, com anuência de Temer"