[ Esporte ] Clubes falham na formação dos atletas e passam mão na cabeça dos problemáticos

A reportagem é de O Tempo, parceiro da Rede Hoje. Veja o vídeo, clique ">aqui

Atualmente não é novidade jogadores de futebol aparecerem em noticiários policiais, devido a acusações de envolvimento com drogas ou traficantes e até mesmo em denúncias de assassinato (confira alguns nomes na relação abaixo). O que se questiona algumas vezes é a atitude dos clubes quanto a esses casos. Surgem indagações se existe algum modo de os times ajudarem os atletas a não seguirem o caminho do crime, se haverá alguma punição ou se a agremiação simplesmente "lavará as mãos".

Para o consultor esportivo José Carlos Brunoro, que tem larga experiência como técnico de vôlei e dirigente de clubes de futebol, as agremiações e os empresários deveriam ter um papel social maior, em vez de se importarem apenas com os resultados dentro de campo.

"Os clubes, na maioria, não querem olhar para esse lado. E quando esses meninos que iniciam na carreira caem nas mãos dos empresários, estes querem fazer dinheiro com eles. Nunca dizem a verdade e sim o que o jogador quer ouvir", afirma Brunoro. Ele disse ainda que, após um eventual desvio de conduta do atleta, normalmente a tendência do clube é tratar o acontecido como "assunto particular". Ele disse ainda que o problema aumenta quando se trata de um jogador famoso, valorizado no mercado, já que os clubes não querem ter prejuízo financeiro.

O psicanalista Jorge Forbes concorda. "Há uma irresponsabilidade por parte dos dirigentes que é astronômica. Os clubes não tomam para si um modelo de trabalho de acompanhar os meninos, de responsabilidade desde o início da carreira", ponderou.

Clubes. Do outro lado, o diretor de futebol do Cruzeiro, Dimas Fonseca, salientou que na Raposa existe sim uma preocupação com os jogadores. "No profissional, orientamos os jogadores e temos o trabalho com a psicóloga Adriany (Gomes). O clube sempre passa a mensagem para que eles não se desviem do bom caminho. Sabemos que não tem como vigiar o atleta 24 horas por dia, então fazemos palestras e conversamos com eles", disse.

Procurada pela reportagem de O TEMPO, a diretoria do Atlético informou que preferia não se manifestar sobre o assunto.

Problemáticos famosos

Adriano: se envolveu com confusões na favela e suposto envolvimento com traficantes neste ano. Faltou a vários treinos em sua volta ao Flamengo em 2009.

Vagner Love: foi a um baile funk escoltado por traficantes armados. Assim como Adriano, deixou de comparecer em treinos.

Bruno: acusado pelo desaparecimento da ex-amante Eliza Samudio, responde ao caso em regime fechado

Edmundo: em 2 de dezembro de 1995, o ex-atacante do Palmeiras, envolveu-se em um acidente automobilístico no Rio de Janeiro, que culminou em três mortos. Condenado a quatro anos e meio de prisão em regime semiaberto, ele nunca cumpriu a pena, devido a recursos da sentença, mas precisou indenizar as famílias das vítimas.

Guilherme: em 2002, o ex-centroavante do Atlético defendia o Corinthians e se envolveu em um acidente de carro perto de Marília (SP), no qual duas pessoas morreram. Guilherme foi indiciado por homicídio culposo e lesão corporal culposa e pagou no ano seguinte R$ 350 mil de indenização aos familiares das vítimas.

Claudinei: ex-América e Cruzeiro, o volante foi morto em novembro de 2004, durante um tiroteio numa casa de shows do bairro Vila Maravilha, região oeste de Belo Horizonte. O jogador, que sofria de epilepsia, era famoso pelos problemas fora de campo e se envolveu em acidentes automobilísticos.

Contratação
Equipes mineiras exigem histórico

Em Minas, existe a preocupação em saber do comportamento dos atletas antes de serem contratados para evitar situações constrangedoras. O diretor de futebol do Cruzeiro, Dimas Fonseca, explica como é realizado esse processo na Raposa.

“Procuramos saber como é a conduta de um jogador que chega e ligamos para treinadores e presidentes dos clubes em que ele jogou. Agora, exigir o certificado de bons antecedentes é uma sugestão que os clubes podem passar a adotar”, informou Dimas.
Membro do Conselho Administrativo do América, Marcus Salum disse que o Coelho também está atento. “Nosso departamento jurídico tem sempre o cuidado de avaliar os contratos e isso é importante para que não aconteçam problemas”, disse. (TP)

Base
Times têm escolas e psicólogos

Os clubes de Belo Horizonte trabalham o lado humano dos jogadores também nas categorias de base. No América e no Atlético existe um projeto integrado entre comissões técnicas, psicólogos e médicos para alertarem os jovens a não seguirem o caminho do crime.

Na Raposa não é diferente, como explica o diretor de futebol Dimas Fonseca, que também comanda as categorias de base do time celeste. “Vejo como fundamental a formação educacional desde as categorias de base. Temos um `know-how ´ e uma escola dentro da estrutura da Toca I para que os jogadores não percam o interesse pelos estudos. Existe também um trabalho com psicólogo para instruí-los”, informou. (TP)



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